O Trem
Há cinco anos embarcamos numa viagem bem bacana!
Fomos conhecer a Serra do Mar de trem.
Estava de férias em Curitiba-PR e decidimos conhecer um pouco mais da rica história da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, construída no século XIX, no ano de 1884 e inaugurada pela Princesa Isabel.
Esta imersão no passado, me fez lembrar muito bem as serras do Brasil: Serra da Mantiqueira, Serra do Mar, Serra da Canastra e algumas outras.... quando cursava o ginásio, na minha querida e saudosa Escola Ana Neri, na Pituba.
Esse passeio turístico tem como destino a cidade de Morretes, uma cidade histórica do Paraná. Em vários momentos, o silêncio tomava conta do vagão, sendo rompido apenas pelo barulho da velha locomotiva.
O silêncio era fruto dos momentos de contemplação que tínhamos ao presenciarmos, a beleza da Mata Atlântica e de imaginar os esforços empreendidos pelos homens daquela época, na construção dos trilhos, pontes, túneis... que rasgavam a densa floresta!
Um tempo depois, revivi estes momentos, desta vez, através de um sonho muito bonito!
Eu me encontrava dentro do vagão, e na fileira do meu lado encontravam-se três simpáticos velhinhos, que no primeiro momento, pensei que se tratava de três irmãos.
Não eram irmãos, mas sim, filho, pai e avô. Abelardo - o filho, Antenor - o pai e Ataulfo - o avô.
Estavam naquela viagem, em homenagem ao aniversário do avô que naquele dia estava completando 112 anos de idade, ainda com muita lucidez e saúde!
Num dado momento, o filho, Abelardo, 80 anos, se aproximou de mim e falou:
_ O meu bisavô ajudou a construir esta ferrovia e meu avô, foi criado ouvindo as histórias e as aventuras que fizeram parte desta empreitada! Os seus amigos que morreram com picadas de escorpiões, cobras peçonhentas e até mesmo, devorados por onças-pintadas!
Percebi, que seu Ataulfo, ouvia a conversa do seu neto e assentia com um leve balanço com a cabeça. Quando não, completava o assunto, com outros episódios não contados.
Abelardo, fez questão de dizer que seu bisavô e os outros empregados foram homenageados depois da construção da ferrovia, com uma placa de reconhecimento dado pela própria Princesa Isabel!
E depois, seu bisavô com os 20 mil Réis poupados pelo seu trabalho, construiu um sobrado nas imediações da ferrovia e ali fincou suas raízes... casou-se com uma cozinheira da própria empresa e teve sete filhos, dentre eles, o caçula, e o único ainda vivo, seu Ataulfo.
Acordei daquele sonho tão verdadeiro, que até hoje não sei se foi sonho ou realidade.
Se eu pudesse escolher, preferia que fosse realidade pra poder convidar estes três simpáticos velhinhos, pra uma sessão de prosas lá em casa!
Afinal, quem não gosta de uma boa prosa?!
Mauricio Fontoura
Março/2026
Ter o prazer de conviver com os mais velhos, estes que são fonte de sabedoria e vivências é privilégio para poucos .
ResponderExcluirFugindo um pouquinho do seu estilo, mais deixando seus leitores curiosos e abastecidos de uma leitura poética e saudosa de um respeito pelos mais velhos. Obrigado meu amigo
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