O Gringo Perfumado
Um francês mochileiro aportou em Salvador pra brincar o carnaval. Se hospedou numa pousada mequetrefe no centro histórico e rumou em direção à Barra.
Nesse dia azul e sem nuvens no céu, o sol a pino queimava sua face, que já se encontrava bem avermelhada, da cor de um pimentão!
Seu nariz grande e afilado era protegido por uma camada grossa de Hipoglós Creme.
Tomou um cravinho, bebeu uma garrafinha de água mineral e saiu pra festa.
Trajando uma bermuda feita de saco de linhagem, amarrada por um cinto de cordas na cintura, sem camisa e com sandálias de couro. Pra completar seu figurino, pintou o corpo com as cores dos timbaleiros, amarrou uma fitinha do Sr. do Bomfim no punho esquerdo e colocou um colar de bolinhas brancas e azuis atravessado no seu tronco.
Foi convencido que com estes adereços, estava pronto e protegido pra pular o carnaval na avenida!
Será mesmo?!
Branco, alto, esguio, cabelo rastafari, com tufos de pelos debaixo do braço, não tomava um banho decente há mais de uma semana e o odor que emanava do seu corpo não era nada agradável.
Encontrou outros amigos mochileiros, numa pousada na Barra, subiu e ficou curtindo o carnaval na sacada.
Viu o trio passando e gostou da música: Chame Gente, de Moraes Moreira. No seu refrão, "... por isso chame chame chame chame gente, que a gente se completa enchendo de alegria...." ele levantava seus braços chamando gente, e naquele momento não ficava um filho de Deus ao seu lado!
Isolado, decidiu descer e brincar o carnaval no asfalto. Se acomodou do lado de um isopor e dançava com uma piriguete na mão. Neste momento, apareceu no início da avenida, nas imediações do Ed Oceania o Trio Motor, de Igor Kannário...
O vendedor ambulante, dono do isopor, querendo proteger o seu cliente, falou:
_ Não vá lá não que é barril dobrado!
O gringo sem entender bem o baianês, entendeu que ele podia ir porque lá só tinha um povo gentil e educado!
E foi...
Quando se deu conta já estava no meio do arrastão e naquela altura já tinha se transformado numa bola de totó, recebendo pancadas de todos os lados!
Agitado, indefeso e todo muquiado, decidiu levantar os braços pra pedir socorro! Naquele instante, um dos foliões, acidentalmente, meteu a mão por debaixo das suas axilas e largou:
_ Que fedor da desgraça é esse! Esse porra parece um gambá!
Revoltado e sem ter lugar pra lavar suas mãos, deu um direto na ponta do queixo do gringo que ficou estatelado no chão!
Só acordou meia hora depois já deitado numa maca da Samu, sem o dente da frente e sem o seu precioso colar dos Filhos de Gandhy!
Cansado, todo dolorido, banguelo e ainda fedido, voltou pra sua pousada com uma certeza: Carnaval de Salvador não é só alegria, tem sufoco, muita confusão e definitivamente, não é feito pra amadores!
No próximo ano não volto mais... é esparro!
Vou curtir o agito na Champs-Élysées.
Só no sapatinho!
Au revoir !
Mauricio Fontoura
Fevereiro / 2026
Kkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirÉ bem assim, mesmo!!!! Kkkkkkkk
Já presenciei algumas cenas parecidas com essa muito bem descrita ppr esse excelente contar de "histórias e estórias" de forma sagaz e divertida. Que o nosso Mau...
Carnaval de Salvador é para quem conhece e fica esperto!
ResponderExcluirExcelente texto, Mau! Vou lendo a construção do personagem e da cena e materializo tudo na minha mente.
Para quem conhece o nosso carnaval, crônica bem fiel a realidade.
Adorei! 😂😂😂
poko de ri com "mequetrefe" "rastafari" "muquiado" sensacional. Texto é a cara do carnaval baiano e o sofrimento dos gringos que se aventuram em curtir a maior festa do planeta sem as devidas precauções. Obrigado meu amigo
ResponderExcluir👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
ResponderExcluirSua descrição é perfeita, a forma que vc descreve faz a gente presenciar esses momentos loucos....
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