O Bom Velhinho

Nos confins do Brasil, numa pequena e pacata cidade situada no meio do nada e cercado por vales e grandes penhascos, morava um senhor simpático, gorducho e  que possuia uma longa barba branca, mas já amarelada pela ação do tempo.

A sua casa era muito simples, feita de madeira dos Pinheiros e Araucárias da região. Não tinha energia elétrica e sua lareira era sempre reluzente. A fumaça que saía da sua chaminé dava pra ser vista à quilômetros de distância.

Nesta época do ano as pessoas costumavam visitar a choupana do bom velhinho!

Tocavam o sininho instalado na porta principal e deixavam a sua cartinha dentro de uma caixa de madeira que ficava ao lado da porta.

Das centenas de cartas recebidas ele selecionava algumas cartinhas e procurava, dentro das suas limitações,  realizar os sonhos das crianças que moravam em comunidades carentes no Brasil.

Este ano vai ser desafiador, as suas renas foram impedidas de sair pelo grupo de protetores dos animais, inúmeras casas não serão acessadas pelas barricadas que existem no caminho e numa destas incursões, o bom velhinho foi assaltado.

No seu saco, não tinha nenhum presente de alto valor material, tinha bonecas de pano, pega-varetas, jogo de damas, dominó, bolas de futebol, bolas de gude e diversas cartinhas respondidas por ele.

Apesar de todos os percalços, seguiu com sua missão: levar um pouco de alegria e alento para os lares mais pobres e desvalidos.

Numa das casas visitadas, encontrou uma criança de óculos e com uma perna engessada. Na sua casa não tinha a ceia natalina, apenas uma jarra com água e um pequeno panetone. No canto da sala existia um pequeno presépio com uma manjedoura e a figura do menino Jesus.

Sorridente e com os olhos cheio de lágrimas, a criança indagou:

- Que bom que você veio, meu querido velhinho! E que bom que você atendeu o meu pedido!

Ao tirar sua cartinha do bolso, percebeu que nela estava escrito:

" Papai Noel, neste Natal eu não quero nenhum presente, porque eu já tenho tudo. Eu tenho saúde, amigos, meus pais, meus irmãos e um monte de coisas a serem conquistadas. O meu Natal não será completo sem a sua presença, portanto, ficaria muito feliz se o senhor viesse passar a noite de Natal conosco!

E assim ele o fez, tirou do saco já vazio um livro e lhe deu de presente. O título deste livro, já era bem conhecido entre os leitores: 

O sucesso da vida é ser feliz!

O garoto agradeceu o presente com um abraço afetuoso e o convidou pra comer, junto com seus pais e irmãos, o pequeno panetone que estava sobre a mesa, servido com um pouco de ponche de frutas. 

O bom velhinho aproveitou aquele momento, propôs um brinde à família e falou: lembrem-se que não precisa ir muito longe pra encontrar a felicidade, muitas vezes ela está logo ali e você pode encontra-la nas pequenas coisas, gestos ou atitudes.

Este sim é o verdadeiro espírito natalino!

Não sei o porquê, mas eu adoro esse velhinho!


Mauricio Fontoura

Dezembro/2025






Comentários

  1. Esse velhinho de muitas histórias está se apagando da memória da criançada.
    Obrigado meu amigo.

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