Chorrochó
Chorrochó é uma pequena cidade de dez mil habitantes, situada no interior da Bahia. E na zona rural desta cidade mora um casal humilde e feliz.
Hoje, volta e meia usamos uma expressão quando nos encontramos cansados ou estressados: "estou precisando desacelerar e recarregar minha bateria!". Né verdade?
Pois bem, pra ilustrar bem essa estorinha, vou falar de seu Sebastião, casado com dona Carmosina, ele com 85 anos e ela com 81 anos de idade. Se juntaram em 1958, ele, um jovem de dezoito anos e ela, uma adolescente, com apenas quatorze anos de idade.
Tiveram quatorze filhos e sua esposa só parou de "pegar barriga" aos 45 anos de idade!
Todos seus filhos quando atingiram a maior idade foram trabalhar na cidade grande. Enquanto seus pais permaneceram na roça, plantando milho , feijão, amendoim e mandioca.
Seu Sebastião diariamente acorda ao nascer do sol e se recolhe ao entardecer. Ele não sabe ler e nem escrever. Já sua esposa é analfabeta funcional e é uma rendeira de mão cheia!
Seu Sebastião, nunca usou desodorante na vida, nunca usou um relógio e não sabe ver as horas, fuma diariamente seu cigarro de fumo de corda, bebe pouca água e só lava a boca quando toma o seu banho de cuia com água da cisterna, no fundo do quintal, debaixo de um umbuzeiro que dar frutos todos os anos.
Conhece da previsão do tempo muito mais do que vários meterologistas e conhece as estações do ano pelo cheiro, além de ser, um exímio caçador!
Nunca precisou desacelerar na vida, porque a vida que levou nunca foi regida por compromissos, metas e obrigações. Comia o que Deus dava, e pra ele isso bastava.
Seus filhos ele botava no mundo e deixava-os a vida lhe guiar. Se quisessem ficar, ficavam, caso contrário, seguiam seu caminho!
Seu Sebastião não tem dor de cabeça, não tem dor nas "juntas", não usa óculos, não tem pressão alta, seu coração é de um jovem e as poucas vezes que foi ao dentista, foi pra extrair aqueles dentes que doiam bastante e nem por isso, nunca deixou de ter um sorriso largo, banguelo e acolhedor!
Nunca andou de carro na vida, seu meio de transporte é no lombo de um burro e morre de medo de assombração.
Seus filhos foram criados ouvindo estórias da mula sem cabeça, do lobisomem e do curupira, sob à luz de lamparina, nas noites de lua cheia!
Todo final de ano seus filhos vão lhe visitar, todos vivos, com seus trinta e seis netos. Todos alfabetizados e dois "doutores", um formado em engenharia da produção e outro em enfermagem.
Perguntado certa vez, qual o sucesso da sua saúde e da sua disposição, ele respondeu: "Foi a vontade de Deus!"
Em cima desta vida simples de seu Sebastião, podemos extrair alguns ensinamentos:
A vida é simples, quem complica somos nós;
Pra ser feliz não precisa de muito;
Deixem seus filhos baterem suas asas;
O contato com natureza alimenta e fortalece o nosso corpo e a nossa alma;
Uma vida tranquila é garantia de uma velhice sem dor;
Aprendemos com o tempo e quando chegar a nossa hora, partiremos com a vontade de viver tudo novamente!
Sinceramente, tô pensando na possibilidade de ser vizinho de seu Sebastião!
Ats
Mauricio Fontoura
Novembro/2025
Excelente história de vida, essa do Sr. Sebastião!!! Uma verdadeira aula de como deveríamos levar a vida....mas, ainda há tempo para tomarmos novas decisões. Eu estou a caminho desses ensinamentos de um grande "Filósofo da vida".
ResponderExcluirVida de interior, homem da roça, coisa rara hoje em dia!!!
ResponderExcluirA vida de seu Sebastião nos mostra que “menos… é mais “. Mas catorze filhos??
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