Coisas da Vida
Sob a ótica de um filho...
Ontem, sábado, 11/10, véspera do Dia das Crianças, foi um dia especial pra mim. Um dia que exercitei a minha admiração, paciência, cuidado e reflexão sobre a vida.
Ontem, eu me vi cuidando de uma "criança" que está prestes a completar 85 anos de idade. Esta criança que ficou órfã de mãe aos quatro anos e teve que aprender a viver e se virar com essa ausência tão sentida pra qualquer um de nós.
Hoje, esta "criança" requer cuidados, atenção, resiliência e muito amor de todos nós, especialmente, da família Fontoura, formada por esposa, filhos, netos, irmãos, primos e sobrinhos. Afinal, esta "criança", hoje é o patriarca, digo, o mais velho dos Fontoura, herdando o bastão do seu pai, o velho Mocyr Ernane de Sá Fontoura, que nos deixou há muito tempo.
Era início de tarde, quando me prontifiquei a ficar com ele, pra dar uma folguinha à minha mãe. Durante as horas que passamos juntos, ele ficou sentado no sofá da minha sala, com as pernas estiradas e apoiadas no puf, lendo serenamente seu jornal e revista. A tarde era fresca, silenciosa e percebi que ele estava bem confortável. Só estávamos nós dois no apto, a esposa e filhos estavam ausentes e aproveitamos pra curtir esta relação de pai e filho.
Moacyrzinho ou Moá, como é tratado pela família, hoje vive com algumas limitações físicas e neurológicas. O diagnóstico da Demência por Corpos de Lewy (DCL) gerou um declínio na sua capacidade de raciocínio, especialmente nas áreas de atenção e percepção visual. Esta doença degenerativa, é causada pelo acúmulo de uma proteína chamada alfa-sinucleína no cérebro, formando aglomerados chamados "Corpos de Lewy".
Hoje, meu velho, que até pouco tempo atrás dirigia e andava de bicicleta, disposto, ativo e com uma pegada atlética, necessita de uma atenção especial, além de muito amor, afeto, respeito e consideração!
Ontem, olhando pra ele, relembrei inúmeros momentos que passamos juntos, principalmente, os momentos da minha infância. Nos momentos de lazer, sempre muito brincalhão, propunha desafios a serem cumpridos e gostava de me colocar em esparros moderados, testando assim as minhas habilidades e a minha capacidade de superação dos obstáculos do caminho. Acho que deu certo!
Neste sábado, a minha casa estava tranquila, serena, fresca, confortável e no sofá da minha sala se encontrava um grande homem, meu querido pai !
Que assim seja, PAI!
Mauricio Fontoura
Outubro/2025
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