O Coroa Folião
O coroa gatinho, recém separado da sua esposa e pai de dois filhos adolescentes, se prepara para o Carnaval de Salvador.
Três meses antes, entra numa academia pra tonificar os músculos e trabalhar a parte aeróbica pra aguentar o tranco da avenida.
Deu um tapa no cabelo já não tão farto como antes, foi ao dentista e colocou uma lente nos dentes. A branquidão dos seus dentes chamava a atenção e contrastava com as rugas do seu rosto, denunciando a sua idade acima de cinquenta anos. Mas mesmo assim, ele estava se achando!
Chegou no Farol da Barra uma hora antes da saída do Bloco Camaleão, o calor era intenso, o sol era de lascar e aglomeração dos foliões aumentava a cada instante.
Ele trajava um short de tactel com uma sunga por baixo (lembrando os velhos tempos), um tênis Adidas com uma meia soquete e o seu abadá que ele customizou, transformando-o numa camiseta que mostrava sua tatuagem no braço, já ultrapassada e desbotada pelo tempo.
Para proteger sua careca ele usava um boné com o seguinte dizer: We Are Carnaval, que durou muito pouco na sua cabeça. Com meia hora de percurso ele parou nas cordas para comprar uma cerveja e neste momento, levaram o seu boné.
A sunga que ele usava por baixo começou a lhe incomodar, naquela altura a sua virilha já estava toda assada e a chave do carro que ele carregava dentro dela, começou também a machucar seus testículos.
Na terceira investida sem sucesso nas gatinhas do bloco, percebeu que já não era mais o mesmo e decidiu mudar a sua estratégia. Puxou um tubo de lança-perfume e começou a ficar doidão!
Logo de imediato colou nele um traveco que parecia uma bela morena e pediu um pau na sua lança. Na primeira oportunidade, ele agarrou o traveco e lascou um beijo daquele, bem característico do Carnaval que chamávamos de chupão. E ali ele ficou por alguns minutos agarrado e beijando a "bela morena", só no roça-roça!
Quando a onda da lança passou no seu juízo, percebeu algo volumoso entre as pernas daquela "gatinha" e ao descer a sua mão, constatou a autoria do crime!
Indignado e totalmente envergonhado com aquela situação saiu da frente do trio e foi pra trás do carro de apoio, bebendo água e lavando sua boca com água mineral.
Neste momento, ele encontra sua ex-mulher com duas amigas se agarrando com três garotões que tinham idade pra serem seus filhos, fora do bloco, nas imediações beco de Ondina.
Tonto com tanta decepção, cansado do percurso do bloco, os braços doloridos com o empurra-empurra, com o tubo de lança já esvaziado pelo traveco e com uma dor na consciência tamanha, naquele momento, o que ele mais desejava era chegar em casa e apagar aquele dia de folia da sua vida.
A propósito, se vc for um cinquentão você pode até brincar seu carnaval, numa boa e dentro da sua realidade, mas não queira dar um de gatinho que você pode se dar mal, viu?
Acredito também, que se você não deu um de gatinho, você deve ter tido um bom Carnaval, afinal, essa festa é massa!
Mauricio Fontoura
Fevereiro/2025
Sensacional! 😂😂😂
ResponderExcluirVocê, como sempre traz seus textos com narrativas interessantes, atuais e engraçadas...genial!!!!
ResponderExcluirParabéns!!!!
Genial!!! Você, sempre traz textos interessantes e atuais, além de bem humorado!!!
ResponderExcluirParabéns, Mau!!!
Nando
Vc é um cara q explora de uma forma diferente nosso cotidiano.
ResponderExcluirParabéns meu amigo.
Muito real e genial. Parabéns!! Muito boa reflexão.
ResponderExcluir