A Dona Curiosa
Curiosidade
O personagem desta história nasceu em plena ditadura militar, sua mãe era professora e seu pai administrador de empresas.
Os dois trabalhavam no Derba - Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia .
Na época seus pais eram dois jovens com pouco tempo de casados, seu pai com 28 anos e sua mãe com 25 anos de idade.
A educação dada por eles foi pautada num estilo de vida "no stress", com muita retidão, honestidade, sem brigas, sem intrigas e com muita liberdade de escolha.
Tinha duas irmãs, a mais velha e outra mais nova, a caçula dos filhos.
Como toda criança ele tinha um sonho, quando crescesse queria ser motorista de ônibus.
Ele achava o máximo dirigir aquele carro grande e que transportava tantas pessoas.
Via nos motoristas de ônibus homens sérios e responsáveis.
Vestiam uma calça azul ou preta de tergal com uma camisa branca de manga curta e com uma gravata combinando com a cor da calça.
Invariavelmente usavam uma toalhinha de rosto entre a gola da camisa e o pescoço pra enxugar o suor que escorria na sua labuta diária.
Já na adolescência, seu sonho mudou, nesta fase queria ser jogador de futebol.
Segundo os seus amigos, bola ele tinha pra isso, mas o destino não quis, tinha preparado uma outra missão de vida pra ele.
Se frustrou um pouco com esta decisão do destino, mas se saciou jogando muita bola.
Apesar de ser de forma amadora, jogava com muita intensidade. Em todos os lugares que era convidado pra jogar ele topava: estádios, ginásios esportivos, interior do estado, clubes, campos de várzea e tantos outros lugares.
Era o verdadeiro fominha!
Zico e Maradona foram seus maiores ídolos.
Já na fase adulta desejava ser médico e o desejo não avançou por uma questão muito simples: as suas horas destinadas ao estudo pra um aluno tido como mediano não foram suficientes pra passar no vestibular de medicina na UFBA.
Trancou os estudos por quase dez anos e foi trabalhar.
Foi vendedor de loja, estagiário do BB, bancário do extinto Banco Econômico, dentre outros.
Cresceu, amadureceu, se formou, se pós graduou, formou uma família, fez concurso público e foi ser feliz.
Nunca esqueceu suas raízes e suas memórias de infância!
Certa vez, dentro do elevador do prédio da sua antiga namorada e atual esposa, encontrou um casal de moradores e percebeu que a mulher o observava com um olhar um tanto quanto curioso, pra não dizer bisbilhoteiro e perguntou:
- Você é morador novo?
- Não, senhora. Vim visitar a minha namorada.
Nesta ocasião, ele era gerente regional de uma corretora de câmbio e estava vestido de calça tergal azul marinho , camisa branca e gravata vermelha.
A senhora prosseguiu com sua curiosidade alheia, mesmo sendo cutucada pelo esposo e perguntou:
- Você é gerente de banco?
- Não, minha senhora. Infelizmente, não pude ser motorista de ônibus e hoje sou cobrador, trabalho na Joevanza!
- Ah... tá!
Desceram juntos do elevador e cada um se dirigiu ao seu carro.
Entrou no seu possante e deu partida no seu Corolla 0 KM.
Ao olhar pelo retrovisor interno do carro, percebeu o marido da mulher exaltado e gesticulando bastante com ela.
Buzinou, sorriu e seguiu seu caminho!
** O personagem desta história não é fictício.
Mauricio Fontoura
Outubro/2024
Retrospectiva da sua vida contada com muito humor.O mais importante de tudo, vc é um vitorioso.Venceu obstáculos e avançou todos os degraus com muita força e coragem.
ResponderExcluirPor trás dessa história verídica, de forma subjacente, está não só a curiosidade presente, mas o preconceito e o pré julgamento como pano de fundo...
ResponderExcluirInfelizmente, é um sentimento inerente ao ser humano.