Superego
Zé
O personagem desta história é um cara engraçado, ele percebeu que nesta época do ano ele fica muito pensativo e às vezes com vontade de ficar na sua, só, sozinho e sem badalaçăo.
Zé é casado, têm filhos e uma família nos moldes tradicionais.
Nesta época do ano ficou convencionado que você tem que dar atenção à todos, participar de eventos, dar e receber presentes etc.
Mas neste momento Zé gostaria de ser um carro descendo uma ladeira, na banguela, livre, leve e solto... mas percebeu, não sabe o porquê, que este carro nesta época do ano fica com freio de mão puxado.
Já levou o carro pra oficina, mas até agora não descobriram o defeito.
Zé nunca procurou um psicólogo ou fez uma terapia, porque ele acredita que seus pensamentos, opiniões e convicções saem na mesma velocidade que entram, basta conversar com si próprio, com a pessoa certa ou com um amigo do peito.
Ele pode tá errado, porém, até agora tem dado certo.
Amigos, heim?
Quantos na verdade você os têm? Já parou pra fazer esta conta?
Ele não parou ainda.
Zé conhece muita gente e ultimamente tem conhecido muitas pessoas e experimentado novas amizades.
É bom, mas é efêmero. Pelo menos, costuma ser.
Lá na frente ele encontrará estas pessoas e provavelmente, esquecerá o nome e dirá: e aí velhão? Como você está? Tudo bem? E a família, tudo em paz?
E se despede dizendo: até uma próxima e um abraço!
Acorda Zé, a festa acabou, o dia raiou e agora José?
Agora ele volta pra casa ou talvez, nem saia de casa porque nesta época do ano ele fica borocoxô!
E a sua esposa, será que que lhe ouve ou atualmente dá mais atenção ao aparelho celular?
E seus filhos, Zé? Além de todos viverem na sua vibe e de cara no mundo retangular, todos direta ou indiretamente dependem de você.
Já parou pra pensar nisso?
O adolescente quer está com todo mundo, menos com você.
A mais velha lembra de você, mas só aparece quando bate a saudade ou quando lhe é conveniente.
Já o caçula, este sim, ainda é a alegria da casa!
Filhos, heim Zé? Ai da gente se não fossem eles!
E a vida Zé, é assim mesmo: trabalho, família e diversão?
Rapaz, se é eu não sei, só sei que as vezes esta rotina se torna chata pra zorra!
Às vezes, a vontade que eu sinto é de chutar o pau da barraca e viver novas emoções.
Juízo, Zé!
E segure sua onda, viu ?
Mauricio Fontoura
Dezembro / 2021
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